Biografia de Diogo Jota tem título inspirado nas palavras da viúva Rute

Já está nas prateleiras a obra biográfica dedicada a Diogo Jota, com o título "Diogo Jota – Nunca mais é muito tempo". O livro propõe-se a perpetuar a memória do malogrado avançado português, e a sua génese revela-se tão tocante quanto o próprio projeto.
Durante uma conversa com a jornalista Irene Palma na BOLA TV, José Manuel Delgado, autor da biografia e antigo Diretor-Adjunto do jornal A BOLA, desvendou os detalhes da elaboração desta obra. Tudo começou quando a Federação Portuguesa de Futebol o desafiou a levar a cabo o projeto, precisamente nas vésperas do funeral do atleta.
Filipe Paes, então chefe de gabinete de Pedro Proença, foi quem fez o contacto em nome do presidente da Federação. Delgado recorda o momento: "Na véspera do funeral, o doutor Filipe Paes ligou-me, em nome do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, a perguntar se eu queria escrever a biografia do Diogo. E eu pedi-lhe algum tempo a pensar, disse-lhe que, em princípio, sim, era um desafio aliciante e pedi-lhe algum tempo para pensar. Não muito, sequer se que te diga, tomei a decisão muito rapidamente".
O primeiro encontro plenário aconteceu na Cidade do Futebol, no dia em que as camisolas em bronze de Diogo Jota e Jorge Costa foram apresentadas. Nessa reunião estiveram presentes os pais do jogador, Joaquim e Isabel, a sua mulher Rute, o melhor amigo Rúben Neves, o empresário Jorge Mendes e membros da estrutura dos eSports. Foi aí que Delgado apresentou a sua visão para o projeto: contar a história exclusivamente através de quem conviveu de perto com o avançado, recolhendo quase 90 depoimentos originais.
Quanto ao título escolhido, a inspiração partiu de um momento particularmente vulnerável de Rute durante o luto. Segundo o autor, a viúva partilhou com Rúben Neves, cerca de um mês após o acidente, uma reflexão que o marcou profundamente. Delgado explica: "Numa conversa com a Rute, a mulher do Diogo Jota, ela disse-me que cerca de um mês depois do acidente, numa conversa com o Rúben Neves, ela disse-lhe que estava a ser difícil porque nunca mais era muito tempo. E eu fiquei com aquela frase no ouvido. E, umas semanas depois, liguei-lhe e perguntei-lhe se podia ser o título do livro Nunca Mais é Muito Tempo, porque pareceu-me simbólico e muito bem aplicado à situação que se passou a viver".
A elaboração deste legado literário exigiu uma coragem notável de todos os envolvidos. O jornalista sublinhou o esforço dos familiares e amigos mais próximos, que aceitaram reviver a dor em prol do amor: "Este livro foi difícil de fazer, e foi difícil estar neste livro, sobretudo para as pessoas que eram mais próximas do Diogo e do André, que nunca quiseram pôr-se em bicos de pés, que nunca quiseram protagonismo, e que só aceitaram falar para este livro por amor ao Diogo, e também ao André, porque quiseram que houvesse um legado, que os filhos e os netos pudessem ler para saberem quem foi".
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