segunda-feira, 20 de julho de 2026

Biografia de Diogo Jota tem título inspirado nas palavras da viúva Rute

25 de maio de 2026
Biografia de Diogo Jota tem título inspirado nas palavras da viúva Rute
Biografia de Diogo Jota tem título inspirado nas palavras da viúva Rute

Já está nas prateleiras a obra biográfica dedicada a Diogo Jota, com o título "Diogo Jota – Nunca mais é muito tempo". O livro propõe-se a perpetuar a memória do malogrado avançado português, e a sua génese revela-se tão tocante quanto o próprio projeto.

Durante uma conversa com a jornalista Irene Palma na BOLA TV, José Manuel Delgado, autor da biografia e antigo Diretor-Adjunto do jornal A BOLA, desvendou os detalhes da elaboração desta obra. Tudo começou quando a Federação Portuguesa de Futebol o desafiou a levar a cabo o projeto, precisamente nas vésperas do funeral do atleta.

Filipe Paes, então chefe de gabinete de Pedro Proença, foi quem fez o contacto em nome do presidente da Federação. Delgado recorda o momento: "Na véspera do funeral, o doutor Filipe Paes ligou-me, em nome do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, a perguntar se eu queria escrever a biografia do Diogo. E eu pedi-lhe algum tempo a pensar, disse-lhe que, em princípio, sim, era um desafio aliciante e pedi-lhe algum tempo para pensar. Não muito, sequer se que te diga, tomei a decisão muito rapidamente".

O primeiro encontro plenário aconteceu na Cidade do Futebol, no dia em que as camisolas em bronze de Diogo Jota e Jorge Costa foram apresentadas. Nessa reunião estiveram presentes os pais do jogador, Joaquim e Isabel, a sua mulher Rute, o melhor amigo Rúben Neves, o empresário Jorge Mendes e membros da estrutura dos eSports. Foi aí que Delgado apresentou a sua visão para o projeto: contar a história exclusivamente através de quem conviveu de perto com o avançado, recolhendo quase 90 depoimentos originais.

Quanto ao título escolhido, a inspiração partiu de um momento particularmente vulnerável de Rute durante o luto. Segundo o autor, a viúva partilhou com Rúben Neves, cerca de um mês após o acidente, uma reflexão que o marcou profundamente. Delgado explica: "Numa conversa com a Rute, a mulher do Diogo Jota, ela disse-me que cerca de um mês depois do acidente, numa conversa com o Rúben Neves, ela disse-lhe que estava a ser difícil porque nunca mais era muito tempo. E eu fiquei com aquela frase no ouvido. E, umas semanas depois, liguei-lhe e perguntei-lhe se podia ser o título do livro Nunca Mais é Muito Tempo, porque pareceu-me simbólico e muito bem aplicado à situação que se passou a viver".

A elaboração deste legado literário exigiu uma coragem notável de todos os envolvidos. O jornalista sublinhou o esforço dos familiares e amigos mais próximos, que aceitaram reviver a dor em prol do amor: "Este livro foi difícil de fazer, e foi difícil estar neste livro, sobretudo para as pessoas que eram mais próximas do Diogo e do André, que nunca quiseram pôr-se em bicos de pés, que nunca quiseram protagonismo, e que só aceitaram falar para este livro por amor ao Diogo, e também ao André, porque quiseram que houvesse um legado, que os filhos e os netos pudessem ler para saberem quem foi".

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