segunda-feira, 20 de julho de 2026

Críticas apontam falta de liderança: Portugal empata com Congo e deixa especialistas preocupados

17 de junho de 2026
Críticas apontam falta de liderança: Portugal empata com Congo e deixa especialistas preocupados
Críticas apontam falta de liderança: Portugal empata com Congo e deixa especialistas preocupados

O resultado sem vencedor entre Portugal e República Democrática do Congo no arranque do Mundial 2026 deixou os analistas da SIC bastante desapontados com o desempenho da seleção das quinas.

Francisco Gomes começou por reconhecer que os primeiros minutos foram bem pensados, mas alertou para a deterioração que se seguiu. "Portugal pensou bem os primeiros minutos do jogo, depois foi perdendo ritmo e foi perdendo intensidade", observou, identificando uma excessiva concentração no flanco direito, com Bernardo Silva a aparecer mais centralmente e João Cancelo a fornecer profundidade. Depois do golo, essa estratégia simplesmente desapareceu.

O comentador ressalvou que não há motivo para pânico, sendo apenas o primeiro encontro e seguindo um padrão que a seleção já tem demonstrado em grandes competições recentes. Porém, a sua principal preocupação centrou-se na gestão de Roberto Martínez, questionando a base das decisões do técnico.

"É um selecionador cujo único argumento, ou pelo menos cujo argumento principal para definir as suas ações enquanto treinador é o estatuto dos seus jogadores", explicou Gomes, que foi direto: "A isso não se chama liderança, chama-se burocracia".

O jornalista apontou Cristiano Ronaldo como exemplo desta abordagem. "Quando começaram a sair os jogadores com pouco rendimento, que provavelmente deveriam ter saído mais cedo, por causa do Bernardo Silva é um exemplo, o único que ficou foi Cristiano Ronaldo", recordou. Para Gomes, isto não tem justificação desportiva. "Eu gostava que os argumentos fossem técnicos. Que é, este joga melhor, este dá mais velocidade ao jogo, o selecionador podia justificar dessa maneira, só que não há justificação possível", lamentou, alertando que sem mudanças profundas, Portugal corre o risco de "desperdiçar mais uma competição onde somos candidatos".

Pedro Fatela, colega comentador, começou por destacar alguns pontos positivos: não perder é um bom sinal, a possibilidade de o terceiro classificado avançar oferece oportunidades, e a equipa "só pode melhorar". Reconheceu que o resultado foi justo, resultado tanto da falta de qualidade portuguesa como do desempenho crescente da República Democrática do Congo, que após sofrer o golo ganhou confiança e, na segunda metade, "com um pouco mais de critério, porventura até poder ter vencido o jogo".

Fatela identificou dois grandes problemas na atuação portuguesa. O primeiro foi a postura global, que considerou "completamente errada". Questionou se o golo inicial "agravou um certo sentimento de arrogância, de displicência". Portugal tinha espaço para atacar mas optava por "jogar para o lado e para trás", numa "espécie de rabia coletiva", como se a vitória já estivesse garantida. Esta atitude criou uma passividade onde os jogadores "começou a marcar com os olhos, a marcar à distância", subestimando o adversário.

O segundo problema foi a forma fraca de vários atletas, nomeadamente alguns dos "mais icónicos" e com maior estatuto, sobre os quais Roberto Martínez "tem mais dificuldade em mexer". Fatela foi claro que não acredita que "o único problema é Cristiano Ronaldo", mas admitiu que "hoje o problema esteve muito para o lado de Cristiano Ronaldo". Bernardo Silva, Bruno Fernandes, João Cancelo e Vitinha também foram apontados como "completamente fora dela".

O comentador defendeu que o técnico precisa de entender que o estatuto não pode sobrepor-se às necessidades do jogo. Se o encontro exigir "outro jogador, um jogador mais veloz", deve fazer essa mudança, comparando a diferença entre Bernardo Silva e Francisco Conceição como "do dia para a noite". Fatela foi incisivo na conclusão: uma equipa pode estar a jogar mal, mas "se existir um selecionador com coragem e capacidade para mexer, isso ajuda a equipa a ganhar". No jogo contra o Congo, "Roberto Martínez não teve essa capacidade e não ajudou a equipa a ganhar".

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