Biografia de Diogo Jota dedica capítulo especial ao irmão André: "Seria injusto não o honrar"

A tragédia que marcou a jornada para Liverpool não deixou apenas uma vítima. Diogo Jota viajava acompanhado pelo seu irmão, André Silva, um estudante apaixonado pelo universo desportivo. Agora, na biografia oficial que acaba de chegar às livrarias pela Cultura Editora, o autor José Manuel Delgado garantiu que a narrativa do jogador nunca poderia estar completa sem dar destaque e memória a André.
Em conversa com a BOLA TV, Delgado, jornalista de carreira, explicou o peso dessa escolha. Desde o primeiro encontro com a família, ficou claro que seria necessário um capítulo inteiramente dedicado ao irmão, como forma de respeitar o sofrimento partilhado e o trajeto do rapaz.
"A obra foca o Diogo, mas seria quase uma ofensa aos pais não incluir André, e também à Paula, que era companheira de vida do André há sete anos e sete meses, alguém com quem ele planeava casar e com quem já coabitava há dois anos. Para ela também, seria muito injusto não ter um espaço exclusivo que falasse sobre o percurso de André, tanto no desporto como na academia, já que frequentava o mestrado em Desporto na Universidade da Maia", relatou.
A narrativa vai muito além do campo de jogo. Enquanto recolhia informações, Delgado conversou com Isabel, mãe dos dois jovens, sobre onde começaria a história. A resposta que deu moldou o tom emocional de toda a obra: começaria no momento em que ela conheceu o seu marido, no ponto de origem da família. O primeiro capítulo aborda o acidente em si e como aquelas pessoas vivenciaram aquela noite, incluindo o contexto de por que a viagem foi feita de carro em vez de avião.
A cronologia do livro recua até à Igreja de Gondomar e percorre os vários momentos da vida de ambos, incluindo a entrada de Rute, viúva de Diogo Jota. Delgado destaca que o relacionamento começou muito jovem e que antigas professoras confirmaram as raízes desse romance: "Rute é uma peça fundamental neste livro. Ela e o Diogo começaram a namorar quando ela tinha 16 anos e ele 15. Tive oportunidade de conversar com a professora que lecionava ambos, com a diretora de turma da escola secundária de Gondomar, que presenciou o início do namoro e pode partilhar histórias. Curiosamente, também falei com a professora do ensino primário de Diogo e André, que era a mesma pessoa".
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