Do pavor de sangue à política: a história improvável que moldou Carlos Moedas

Carlos Moedas, atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, abriu o jogo numa conversa com Tânia Ribas de Vasconcelos no programa "Olhos nos Olhos", partilhando uma história bastante curiosa sobre como um episódio marcante mudou completamente o rumo da sua carreira.
O autarca recordou a sua juventude em Beja e o impacto profundo que foi sair da planície alentejana para estudar em Lisboa. Com o apoio dos pais, apesar das dificuldades financeiras, Moedas mudou-se para a capital, alugando um quarto em Campo de Ourique por seis contos. "Chegar a Lisboa era como chegar a Nova Iorque", descreveu com nostalgia, referindo-se ao choque de dimensões internacionais que representou essa transição.
O grande plot twist da história aconteceu quando o jovem se preparava para ingressar no curso de Medicina. Um mês antes de se inscrever, uma situação corriqueira mudou tudo: um acidente nas proximidades de casa envolveu uma pessoa com ferimentos. Moedas desmaiu ao ver o sangue e tirou uma conclusão imediata e prática: "Não posso ir para Médico se desmaio com sangue". E assim, quase por acaso, rumou para Engenharia Civil, admitindo que nem tinha bem a certeza do que isso significava.
As restrições financeiras da época obrigaram Moedas a ser estratégico: precisava de aprovar todas as disciplinas na primeira oportunidade de exames para evitar custos adicionais de alojamento durante o verão.
A verdadeira transformação pessoal chegou no último ano da licenciatura, quando um projeto europeu lhe proporcionou a primeira viagem de avião, rumo a Toulouse, e posteriormente uma fixação profissional em Paris. A experiência francesa abriu-lhe horizontes completamente novos. "Paris era um mundo inteiro a desdobrar-se, era como estar num filme", recordou, descrevendo a fascinação que sentia pela diversidade cosmopolita, pelas pessoas de diferentes países e religiões.
O contacto com essa realidade multicultural marcou profundamente os seus valores. Moedas salientou que viajar e conviver com a diferença o tornou uma pessoa muito mais tolerante. "Viajar torna-nos pessoas muito mais tolerantes e, sobretudo, amantes da diferença, em vez de temermos o que é diferente", concluiu o líder do executivo lisboeta, explicando que essa abertura para o mundo se tornou fundamental na sua gasolina de vida e, por extensão, na sua ação política.
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