Venezuela devastada por dois terramotos sucessivos e mais de 135 réplicas

Catástrofe símica na Venezuela
A Venezuela foi assolada por uma sequência devastadora de terramotos esta quarta-feira, com o país a registar o pior abalo sísmico em mais de um século. Os números preliminares apontam para 188 óbitos e mais de 1.500 feridos, enquanto operações de resgate continuam nas zonas mais atingidas.
Os Abalos
O primeiro tremor, com magnitude 7.2, ocorreu às 18:04 horas na costa central, tendo o Serviço Geológico dos Estados Unidos identificado San Felipe, no estado de Yaracuy, a cerca de 280 quilómetros a oeste de Caracas, como o epicentro. Apenas 39 segundos depois, um segundo sismo ainda mais violento, de magnitude 7.5, atingiu a mesma região, com epicentro próximo do município de Yumare.
Desde então, mais de 135 réplicas foram registadas, mantendo a população em estado permanente de alarme. Investigadores geológicos apontam para uma possível rutura nas falhas de Boconó e San Sebastián, duas das zonas sísmicas mais ativas do país.
Extensão dos Danos
Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón foram as regiões mais afetadas, segundo confirmação da Presidente interina Delcy Rodríguez. Imagens aéreas revelam edifícios completamente destruídos, com centenas de estruturas danificadas em La Guaira e Catia la Mar.
Aproximadamente 250 edifícios sofreram danos significativos, e estima-se que mais de 20 mil pessoas estejam registadas como desaparecidas em plataformas online de localização. Jorge Rodríguez, Presidente da Assembleia Nacional, detalhou 157 desaparecidos confirmados e 2.927 famílias diretamente afetadas.
Impacto na Comunidade Portuguesa
A tragédia atingiu também a comunidade luso-venezuelana. Confirmou-se a morte de um cidadão português, enquanto cinco luso-descendentes também perderam a vida. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português recebeu quatro pedidos para localizar familiares incontactáveis, e há relatos de uma família portuguesa desaparecida em La Guaira e uma mulher sob escombros em Caracas.
O presidente do Governo Regional da Madeira confirmou duas vítimas mortais com ligação à região. Uma tripulação da TAP estava hospedada num hotel que desabou, gerando preocupação inicial, mas foi confirmada a sua segurança.
Mobilização Internacional
A resposta global foi imediata. Portugal enviará uma equipa de 53 profissionais de emergência médica e salvamento. A União Europeia, através de Ursula von der Leyen, confirmou que Portugal e outros sete países europeus estão a enviar ajuda.
Entre as nações a mobilizar-se contam-se El Salvador (com 300 resgatistas e 50 toneladas de suprimentos), Espanha (54 socorristas da Unidade Militar de Emergências), França (85 socorristas especializados), México, República Dominicana, Suíça, Países Baixos (que disponibilizou 2 milhões de euros), Reino Unido, Brasil, Rússia, China, Irão e Israel.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu ajuda imediata, enquanto o senador Marco Rubio anunciou o envio urgente de equipas de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária. O Comando Sul do Exército norte-americano mobilizou-se rapidamente para apoiar operações.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, expressou condolências, e a organização coordena equipas internacionais de resgate. O Papa Leão XIV enviou 100 mil euros em ajuda humanitária, enquanto a Cruz Vermelha Internacional mobilizou as suas equipas de busca e salvamento.
Situação Humanitária
Milhares de venezuelanos passam a noite em espaços públicos, com medo de novas réplicas. Os supermercados em Caracas reabriram com longas filas, enquanto a população tenta reabastecer-se. O governo desbloqueou o acesso à rede social X, anteriormente bloqueada desde 2024, para facilitar a comunicação de informações sobre a crise.
O sinal de internet caiu significativamente de 90% para 65%, dificultando as comunicações. A ONU apelou à eliminação de restrições à internet para permitir melhor acesso a informações.
Em meio à emergência, houve histórias de esperança: um bebé foi resgatado vivo dos escombros graças à rápida intervenção de vizinhos.
Perspetivas e Estimativas
O Serviço Geológico dos Estados Unidos divulgou estimativas alarmantes, prevendo entre 10 mil a 100 mil mortos e perdas económicas que podem ascender a dezenas de milhares de milhões de dólares. Estes são considerados os terramotos mais poderosos a atingir a Venezuela em 126 anos.
La Guaira, uma das zonas mais devastadas, já tinha sido palco de um desastre natural em 1999, aumentando a preocupação com a sua capacidade de resiliência.
Apoio Contínuo
O Parlamento português manifestou-se unânime no pesar pelas vítimas e solidário com a comunidade luso-venezuelana. O Primeiro-Ministro Luís Montenegro falou por telefone com Delcy Rodríguez para expressar solidariedade. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa manifestou profunda consternação perante a tragédia.
A operadora NOS ofereceu chamadas gratuitas entre Portugal e a Venezuela até 5 de julho, facilitando a comunicação entre famílias separadas. Associações como a Venecom, na Madeira, preparam recolhas de bens para os afetados, enquanto emigrantes venezuelanos apelam ao governo português para apoiar o envio de ajuda.
As operações de resgate continuam contra o tempo, com a comunidade internacional unida no esforço de salvar vidas e prestar assistência humanitária.
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