segunda-feira, 20 de julho de 2026

Julgamento de José Castelo Branco começa com acusações graves de violência doméstica contra Betty Grafstein

25 de junho de 2026
Julgamento de José Castelo Branco começa com acusações graves de violência doméstica contra Betty Grafstein
Julgamento de José Castelo Branco começa com acusações graves de violência doméstica contra Betty Grafstein

O processo judicial contra o conhecido figura pública José Castelo Branco arrancou hoje no Tribunal de Sintra, com o Ministério Público a formular acusações de crime de violência doméstica agravada dirigidas à sua esposa, Betty Grafstein.

De acordo com o despacho da 6.ª Secção do Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa – Sintra, os autos revelam um quadro preocupante de alegados maus-tratos que terão afetado o casal desde que casaram em 1996. A documentação descreve um padrão persistente de comportamentos abusivos, tanto durante as estadias em Nova Iorque como em Portugal.

Um Histórico de Abusos Alegados

Segundo a acusação, Castelo Branco terá agredido Betty com murros no corpo e na cabeça, apertado o seu pescoço até ao ponto de a sufocar, e dirigido insultos degradantes como "velha" e "feia". Para além da violência física, o processo aponta para um sistema de controlo e humilhação contínuos: terá isolado a vítima, impedindo-a de contactar com o próprio filho durante dois anos, e retido os seus documentos de identificação e passaportes.

O Ministério Público descreve ainda episódios perturbadores de coerção psicológica, incluindo a obrigação de tomar medicação para diabéticos por razões estéticas, e um incidente em que Castelo Branco terá atirado uma frigideira ao chão enquanto cozinhava, causando queimaduras em Betty com o óleo quente. Forçava-a igualmente a usar calçado desconfortável e inadequado à sua idade, aumentando o risco de quedas.

O Episódio de Abril de 2024

A situação escalou dramaticamente na primavera de 2024. No final de março, no Hotel Inglaterra em Estoril, Betty terá sido forçada a calçar sapatos que lhe provocavam dores intensas. Num momento de desespero, sussurrou um pedido de ajuda à amiga Marcella Fernandes: "Help me please". Pouco depois, Castelo Branco terá borrifado perfume diretamente nos olhos da esposa por estar a chorar, acusando-a de estragar a maquilhagem.

Entre 18 e 20 de abril, Castelo Branco terá empurrado violentamente Betty num quarto do mesmo hotel, provocando uma queda que a deixou inconsciente. Sem acionarem os meios de socorro, apenas no dia 20 de abril, com a intervenção de terceiros, Betty deu entrada no Hospital CUF Cascais com um ferimento no antebraço esquerdo, múltiplos hematomas e uma fratura da bacia com destacamento ósseo.

Comportamento no Hospital

Durante os 46 dias de internamento em Portugal, a acusação relata que Castelo Branco manteve uma atitude de "indiferença" perante o sofrimento da vítima. Terá forçado Betty a sentar-se na cama de hospital, ignorando as dores da fratura e os avisos clínicos, apenas para gravar vídeos e tirar fotografias para as redes sociais. Opôs-se também a que o pessoal médico limpasse a maquilhagem de Betty, argumentando que ela precisava de estar sempre apresentável para gerar conteúdos.

A tensão intensificou-se a 4 e 5 de maio, quando Castelo Branco tentou entrar à força no quarto, sendo contido pelos seguranças do hospital. Abalada e com medo, Betty pediu expressamente aos médicos para não permitirem a entrada do marido, confessando ter um "tremendo receio" de que este a matasse.

Cronologia Processual

A investigação ganhou dimensão pública a 20 de abril de 2024, quando Betty foi internada com a fratura e lesões nos braços. Inicialmente associadas a uma queda, as feridas rapidamente levantaram suspeitas de violência doméstica. Betty relatou depois a profissionais de saúde ter sido agredida, levando o hospital a comunicar às autoridades. A 2 de maio, formalizou a denúncia.

A 7 de maio, José Castelo Branco foi detido pela GNR em Estoril e constituído arguido no Tribunal de Sintra, ficando em liberdade com medidas de coação rigorosas: proibição de contactos e aproximação da vítima, bem como de permanecer no hospital. A 8 de maio, uma tentativa de recolha de depoimento judicial de Betty não produziu resultados úteis, pois encontrava-se confusa e medicada. A 24 de maio recebeu uma pulseira eletrónica, que perdeu efeito quando Betty regressou aos Estados Unidos a 4 de junho. Posteriormente foi obrigado a entregar os passaportes, mantendo-se a proibição de contacto.

O Ministério Público formalizou a acusação em novembro de 2024, descrevendo um quadro de agressões prolongadas desde o início do casamento. Betty começou a falar mais abertamente, e em junho de 2025 voltou a acusar o marido de abusos e de a ter mantido num clima de medo.

Em setembro de 2025, o Tribunal de Instrução Criminal de Sintra decidiu levar Castelo Branco a julgamento após o arguido ter pedido abertura de instrução.

Acusação e Pedidos do MP

Perante o apurado, o Ministério Público concluiu que Castelo Branco agiu de forma livre e consciente para molestar física e psicologicamente a vítima, afetando a sua liberdade e dignidade pessoal. Como penas acessórias, o MP pede a proibição de contacto com Betty e a frequência obrigatória de programas de prevenção de violência doméstica.

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