segunda-feira, 20 de julho de 2026

Madonna recusa Hollywood: "Só eu vou contar a minha história"

23 de junho de 2026
Madonna recusa Hollywood: "Só eu vou contar a minha história"
Madonna recusa Hollywood: "Só eu vou contar a minha história"

Depois de anos de negociações infrutíferas, a rainha do pop decidiu encerrar os planos para levar a sua vida ao cinema e à televisão. Questões orçamentais e a recusa em ceder o controlo criativo foram os principais pontos de fricção entre Madonna e os grandes estúdios.

O projeto que não saiu do papel

O primeiro capítulo desta saga começou em 2020, quando a Universal Studios anunciou uma longa-metragem intitulada provisoriamente "Who's That Girl". A produção chegou a avançar bastante: Julia Garner foi selecionada para o papel principal após um processo de audições intenso que testou mais de uma dúzia de candidatas nas áreas da voz e da dança. Mas em janeiro de 2023, tudo desabou.

Os problemas surgiram quando Madonna exigiu não apenas dirigir o filme, mas também escrever o argumento de forma independente. Além disso, o orçamento solicitado era substancialmente mais elevado do que os executivos estavam dispostos a gastar. "Trabalhei no argumento durante dois anos e estive dois anos na Universal Studios com os produtores executivos a tratar do orçamento e do 'casting'. Tivemos um desentendimento em relação ao orçamento, porque precisava de um orçamento grande. Tive uma vida extraordinária, tive uma vida grandiosa", explicou a artista em entrevista à revista Interview.

Alternativas rejeitadas

Perante a recusa dos estúdios, Madonna sugeriu soluções criativas: produções de baixo custo na Europa de Leste. Mas os executivos mostraram-se céticos. "Uma das primeiras reações deles foi: 'Não acreditamos que ficasses na Sérvia mais do que quatro dias'. E eu disse: 'Vocês leram o argumento?' Toda a minha vida foi uma luta pela sobrevivência", recordou.

A tentativa Netflix

Em maio de 2025, abriu-se uma nova oportunidade quando a Netflix entrou em negociações para produzir uma minissérie, com o envolvimento do produtor Shawn Levy. No entanto, esta parceria também não avançou, desta vez devido a complicações legais relacionadas com os direitos sobre o argumento original que Madonna tinha escrito para a Universal.

"Fiquei num limbo quando tudo se desmoronou. Não podia usar o argumento que tinha com a Universal a não ser que o comprasse por um preço exorbitante, mesmo tendo sido eu a escrevê-lo. Temos de nos reunir com muitos argumentistas e encontrar o 'showrunner' certo e não consegui encontrar um. Isso arrastou-se por mais oito ou nove meses", revelou.

Foco na música

Após mais de cinco anos de tentativas frustradas, Madonna decidiu reorientar as suas energias. A prioridade agora é a carreira musical, e a determinação em proteger a sua narrativa pessoal contra interpretações externas, particularmente de realizadores que não partilham a sua visão.

"Fiquei a pensar: 'Ainda bem que tenho outro emprego, porque preciso de trabalhar, preciso de criar. Preciso de fazer aquilo para que nasci'", comentou. A artista também revelou que o projeto serviu como uma forma de impedir que terceiros contassem a sua história de forma não autorizada.

"Tive uma vida extraordinária, devo fazer um filme extraordinário. Foi um ataque preventivo porque muitas pessoas estavam a tentar fazer filmes sobre mim. Principalmente homens misóginos. Portanto, coloquei o meu pé na porta e disse 'Ninguém vai contar a minha história, só eu'. Quero transmitir a incrível jornada em que a vida me levou como artista, como cantora, como dançarina, como um ser humano a tentar encontrar o seu lugar neste mundo. O foco deste filme será sempre a música. A música faz-me continuar e a arte mantém-me viva. Existem tantas histórias inspiradoras por contar e quem melhor para contá-las do que eu mesma. É fundamental partilhar a montanha-russa da minha vida com a minha visão e a minha voz", concluiu.

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