segunda-feira, 20 de julho de 2026

Do Algarve ao PSG: A Jornada de Sacrifício que Moldou Gonçalo Ramos

20 de junho de 2026
Do Algarve ao PSG: A Jornada de Sacrifício que Moldou Gonçalo Ramos
Do Algarve ao PSG: A Jornada de Sacrifício que Moldou Gonçalo Ramos

A trajetória de Gonçalo Ramos até aos grandes palcos do futebol europeu não foi pavimentada de facilidades. O avançado que agora veste a camisola 9 do Paris Saint-Germain recordou, numa entrevista, a caminhada repleta de renúncias que começou quando deixou a segurança familiar no Sul do país.

Aos 12 anos, Ramos abandonou o Algarve para integrar as academias do Sport Lisboa e Benfica, um passo que se revelaria transformador mas tremendamente desafiante. A adaptação foi áspera, especialmente para uma criança profundamente ligada aos progenitores. "Achávamos que eu não ia durar cá muito tempo e que passado dois a três meses ia voltar para o Algarve, porque não conseguia dormir sem os meus pais", confessou o futebolista sobre aqueles primeiros tempos.

Rotina de Responsabilidades Precoces

Na Academia do Seixal, a vida seguia regras rigorosas. Os miúdos eram responsáveis por arrumarem as próprias camas — com multas para quem falhasse — e geriam sozinhos detalhes do dia a dia como despertar a tempo, escolher a roupa e preparar o material. Para um miúdo vindo do conforto familiar, tudo isto representava um choque brutal. "Tive que me desenrascar", resumiu Ramos.

As dificuldades multiplicaram-se no segundo ano. Questões financeiras e logísticas levaram a que a família encontrasse uma alternativa: o jovem passou a viver em casa de um tio na Cruz de Pau. O que parecia ser uma solução prática transformou-se numa maratona diária para um rapaz de apenas 13 anos.

Os Autocarro e as Manhãs Cansadas

Todos os dias, Gonçalo saía de casa do tio às 07h30 da manhã. Apanhava autocarros da Margem Sul — meios de transporte que nunca havia utilizado no Algarve — e passava entre 25 a 30 minutos em deslocação. Depois vinha a escola, o treino, e no final da tarde uma carrinha o regressava a casa já perto das 22h00 ou 23h00 da noite.

O cenário tornou-se ainda mais exigente quando sofreu uma lesão séria. "Parti o pé em dois", revelou, explicando que passou três meses inteiros a fazer este trajeto com gesso e muletas, apoiado em transportes públicos.

O Teste na Equipa Principal

A chegada à equipa principal do Benfica trouxe pressão adicional. O treinador de então, Jorge Jesus, era conhecido pela exigência particularmente intensa com os jovens. Na sua estreia na Taça de Portugal, aos 18 anos, Gonçalo teve uma exibição aquém do esperado e foi substituído no início da segunda parte.

O desapontamento foi profundo. Após o apito final, ligou ao pai, desanimado, questionando se alguma vez teria uma segunda oportunidade na equipa principal benfiquista.

O Conselho que Mudou Tudo

Foi o pai — ele próprio antigo futebolista — quem trouxe perspetiva. Lembrando o filho de que praticamente todos os grandes jogadores do Benfica tinham tido um começo difícil, tranquilizou-o: um jogo fraco não determinaria o seu futuro no clube.

Essa mentoria familiar revelou-se essencial para construir a resiliência que hoje caracteriza o avançado, transformando contratempos em lições de perseverança.

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