Padre Ricardo Esteves reflete sobre solidão e dependência emocional: "Deixas de te relacionar por carência"

Na manhã de quarta-feira, 24 de junho, o Padre Ricardo Esteves tomou a sua página de Instagram para deixar uma reflexão tocante sobre os afetos, a solidão e a forma como lidamos com o vazio interior. A mensagem do sacerdote coloca o dedo na ferida de muitas decisões que cometemos na vida amorosa e relacional.
Segundo o pároco, grande parte dos nossos maiores tropeços não resulta de falta de caráter, mas sim do terror que sentimos perante o isolamento. "Aceitamos migalhas emocionais, relações falidas, toleramos faltas de respeito ou preenchemos a agenda com encontros vazios", enumera. O Padre Ricardo Esteves identifica uma fobia crescente na sociedade contemporânea: o medo do silêncio e da solidão. "Parece que ficar sozinho tornou-se sinónimo de abandono quando na verdade deveria ser sinónimo de paz", questiona.
Na sequência da sua publicação, o sacerdote aprofunda os mecanismos psicológicos que nos afastam de momentos de introspecção genuína. Explica que quem não consegue apreciar a sua própria companhia geralmente foge daquilo que habita no fundo da mente — o medo de confrontar os vazios interiores, os traumas, e as verdades que o ritmo acelerado do dia consegue enterrar. "Procurar estar só, por vezes, é um acto de poder e maturidade emocional, porque o encontro connosco mesmos é tão vital como respirar", sustenta.
A conclusão da mensagem do Padre Ricardo Esteves centra-se na transformação que ocorre quando conquistamos a paz mental. Quando o equilíbrio interior existe, ganhamos uma liberdade de escolha extraordinária. "Deixas de te relacionar por necessidade, por carência ou para tapar buracos, e passas a relacionar-te por desejo e admiração real… no fundo abandonas a prostituição dos teus vazios", escreve. O pároco reforça que quem se sente completo consigo mesmo não aceita qualquer relacionamento — apenas aqueles que realmente somam. "Se tu fores a tua melhor companhia, só vais querer do teu lado quem soma, quem acrescenta… não quem te diminui", conclui, deixando a mensagem final: "A solidão só assusta quem ainda não aprendeu a habitar consigo próprio."
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