segunda-feira, 20 de julho de 2026

Roberto Martínez defende empate com Congo e apela à calma: "Um Mundial é um processo"

17 de junho de 2026
Roberto Martínez defende empate com Congo e apela à calma: "Um Mundial é um processo"
Roberto Martínez defende empate com Congo e apela à calma: "Um Mundial é um processo"

O técnico português mantém-se firme na sua análise do resultado (1-1) contra o Congo, mesmo com a onda de desaprovação que varreu a imprensa e a adeptos após o jogo de estreia no torneio.

Durante a conferência de imprensa pós-partida, Martínez recusou desvalorizar a seleção, argumentando que performances irregulares são comuns em Mundiais. Para fundamentar o seu ponto de vista, recordou casos emblemáticos: a Argentina foi derrotada pela Arábia Saudita no Catar antes de conquistar o título, enquanto a Espanha caiu frente à Suíça em 2010 e também se tornou campeã. "Esses não foram desempenhos de equipas que podem ser ganhadoras, mas foram", sublinhou, reforçando que o torneio é um "processo" e não apenas um resultado.

O selecionador admitiu que a obsessão por "ganhar o Mundial, ganhar o Mundial" pode gerar uma "emoção que não ajuda a ganhar jogos". Segundo Martínez, o mais importante era "começar bem", objetivo que a equipa atingiu. "Começamos muito, muito bem. O nível, o controle, a chegada na baliza", detalhou. Contudo, o golo de João Neves teve um "efeito contrário" ao desejado, transformando a confiança numa estratégia defensiva focada na posse sem criatividade, o que permitiu ao Congo reorganizar-se e explorar o contra-ataque.

O golo congolês de bola parada não surpreendeu o técnico, que já havia alertado para a qualidade do adversário nestes lances e nas transições rápidas. Apesar disso, Martínez reconheceu a "atitude extraordinária" dos jogadores e o esforço para reverter o resultado, embora tenha admitido que as oportunidades criadas ficaram "não ao nível que nós precisamos, com a qualidade que nós temos".

Quando questionado sobre a baixa participação de Cristiano Ronaldo — apenas 25 toques na bola, um dos registos mais baixos da sua carreira em fases finais — Martínez explicou que a posição de ponta de lança exige "muita disciplina", incluindo "ficar na linha defensiva, nas costas dos centrais, abrir espaços". Após o primeiro golo, a equipa não conseguiu "dar um serviço ao ponta de lança" que permitisse explorar os seus movimentos. O selecionador sublinhou que há "aspetos que precisamos melhorar", mas reafirmou a importância da disciplina dos avançados.

As estatísticas ofensivas revelaram-se desalentadoras: apenas um remate enquadrado e 21 cruzamentos. Martínez reconheceu que "as estatísticas não são boas, não estão ao nível que nós precisamos", atribuindo a mudança de padrão à "emoção diferente" e às "tomadas de decisão diferentes" após o golo do Congo. "O importante é refletir, avaliar e poder ajustar para o próximo jogo poder chegar ao nível que já mostramos nos últimos meses", afirmou.

Quanto ao episódio final com Cristiano Ronaldo a sair diretamente para os balneários, Martínez explicou que a equipa ainda se está a habituar aos "hábitos da FIFA" nas fases de grupos, nomeadamente as flash interviews. "Estamos também todos tristes, mas vamos tentar apanhar o hábito rapidamente para poder estar todos como um grupo", disse.

O selecionador reiterou que os "mesmos jogadores tiveram um desempenho de alto nível" na conquista da Liga das Nações, e que as "emoções de jogar um Mundial" tiveram um "efeito negativo" no desempenho. "Faltou arriscar, faltou procurar espaço, faltou chegar ao último terço, mas foi um sentimento mais que um aspecto técnico-táctico", concluiu, insistindo na necessidade de "avaliar e melhorar para o segundo jogo".

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